FMI diz que subsídios aos combustíveis beneficiam mais os ricos e defende corte gradual

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A directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou esta sexta-feira, em Luanda, que os subsídios aos combustíveis em Angola continuam a favorecer sobretudo os cidadãos com maiores rendimentos e defendeu uma eliminação gradual da medida, redireccionando recursos para sectores sociais como saúde, educação e protecção às famílias vulneráveis.

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, defendeu, em Luanda, a necessidade de o país avançar para uma redução faseada dos subsídios aos combustíveis, alertando que o actual modelo consome mais recursos do que aqueles destinados à saúde e à educação juntos.

Os subsídios energéticos têm beneficiado, de forma desproporcional, os grupos de maior rendimento. “Na sua maioria, os subsídios aos combustíveis beneficiam os mais ricos. Ao mesmo tempo, limitam o financiamento disponível para investimentos sociais fundamentais”, afirmou a directora-geral do FMI.

Georgieva sublinhou que qualquer reforma neste domínio deve salvaguardar os mais vulneráveis. “Sabemos que a eliminação gradual dos subsídios gera aumento de preços, mas a experiência internacional mostra que essa transição pode ser acompanhada por transferências monetárias direccionadas, garantindo alívio às famílias de baixa renda”, explicou.

Durante a sua visita oficial a Angola, iniciada nesta quinta-feira e que se estende até 21 de Novembro, a gestora do FMI elogiou os progressos registados no país em matéria de estabilidade macro-económica e reconstituição das reservas internacionais. Ainda assim, advertiu que a economia permanece demasiado dependente do petróleo, o que a deixa exposta à volatilidade externa.

“O petróleo continua a ser o pilar da economia. Isso significa que Angola permanece vulnerável às oscilações dos preços internacionais do crude”, observou, associando esta dependência à recente depreciação do kwanza. A dirigente explicou que a redução das receitas em divisas provenientes do petróleo, somada ao aumento das importações, tem exercido forte pressão sobre a moeda nacional e alimentado a inflação, que atinge com mais força as famílias pobres.

No âmbito da visita, Kristalina Georgieva foi recebida pelo Presidente da República, João Lourenço, e reúne com a equipa económica do Governo, coordenada pelo Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

À imprensa, no final do encontro com o Presidente João Lourenço, Kristalina Georgieva disse que felicitou o Governo angolano pelas reformas económicas que tem empreendido desde 2017.

Kristalina Georgieva considerou que “fruto destas reformas, Angola conseguiu virar a página de um crescimento económico negativo para um crescimento económico positivo”.

Esta é a primeira visita de um líder do FMI a Angola desde 2018, quando Christine Lagarde esteve em Luanda.

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