Estudo KPMG CEO Outlook revela que 74% dos líderes empresariais priorizam Inteligência Artificial, mas maioria enfrenta barreiras estruturais graves em qualidade de dados, regulação e questões éticas. Apenas 25% alocam mais de 20% do orçamento à tecnologia.
Três em cada quatro CEOs de empresas líderes em Angola (74%) estão a acelerar o investimento em Inteligência Artificial como prioridade estratégica, mas a grande maioria enfrenta barreiras estruturais que podem comprometer o sucesso da aposta tecnológica, revela a primeira edição angolana do KPMG CEO Outlook 2025, divulgada esta segunda-feira.
O estudo, que pela primeira vez apresenta dados exclusivos de Angola, indica que 87% dos líderes empresariais identificam questões éticas como desafio crítico na adopção de IA — proporção muito superior à média global de 59%. Igual percentagem (87%) aponta a preparação e qualidade dos dados como barreira fundamental, face a 52% a nível mundial.
“Os líderes empresariais em Angola estão a fazer escolhas estratégicas num ambiente desafiante, reforçando na tecnologia, no upskilling do talento e na sustentabilidade, como motores de competitividade e de criação de valor”, afirma Vitor Ribeirinho, Senior Partner do Cluster KPMG Portugal e Angola, sublinhando que “as oportunidades de crescimento surgem para as organizações que investem com clareza, responsabilidade e velocidade nos sectores críticos da transformação”.
Expectativas de retorno aceleradas mas orçamentos limitados
Apesar das barreiras identificadas, a confiança dos CEOs angolanos no retorno do investimento em IA acelerou consideravelmente: 93% prevêem obter resultados entre um a cinco anos, comparando com a previsão de três a cinco anos registada em 2024. A mudança reflecte crescente convicção no “time-to-value” da tecnologia.
Contudo, a alocação orçamental revela disparidade face a mercados internacionais: apenas 25% das organizações angolanas destinam pelo menos um quinto do orçamento à Inteligência Artificial, contra 69% a nível global. A distribuição mostra que 33% gastam entre 10-20% do orçamento, outros 33% entre 20-30%, 25% entre 30-40%, e apenas 8% gastam menos de 10%.
Falta de regulação preocupa 67% dos líderes
Para além da ética e dos dados, 67% dos CEOs angolanos citam a falta de regulamentação como obstáculo significativo (versus 50% globalmente), enquanto 60% afirmam que o ritmo insuficiente da regulação — a sua incapacidade de acompanhar a evolução tecnológica — será barreira ao sucesso.
“As respostas dos CEO sobre IA exemplificam a necessidade de um equilíbrio cuidadoso entre inovação e responsabilidade. Os líderes reconhecem a necessidade de abraçar a inovação, enquanto gerem preocupações sobre ética, regulamentação, requalificação e acesso a talento”, observa Bill Thomas, Global Chairman & CEO da KPMG International, em comentário ao estudo global.
Experimentação incentivada em todos os níveis
Apesar dos desafios, 93% dos CEOs angolanos (versus 84% globalmente) consideram que a experimentação por parte dos colaboradores, em todos os níveis organizacionais, é fundamental para ampliar a adopção de IA, devendo todos ser incentivados a participar.
A maioria (74%) espera que a IA autónoma tenha impacto significativo nas suas organizações, em conjunto com a IA generativa, reflectindo a rapidez com que a tecnologia evolui.
Steve Chase, Global Head of AI and Digital Innovation da KPMG International, sublinha que “os CEO estão a investir na IA com maior confiança, não apenas devido ao seu potencial, mas também devido ao valor mensurável que estão a observar. As principais organizações estão a integrar a IA no centro das suas estratégias de negócios e a investir nos aspectos críticos para o sucesso: dados de qualidade, preparação da força de trabalho e governação responsável da IA”.
Cibersegurança no topo das prioridades
Como resposta aos riscos tecnológicos, 53% dos CEOs angolanos estão a investir prioritariamente em cibersegurança e resiliência a riscos digitais (versus 39% globalmente), enquanto 47% focam na integração da IA nas operações e fluxo de trabalho (34% global) e 20% no compliance regulamentar e reporte (36% global).
O estudo revela ainda que 67% dos líderes consideram os seus Conselhos de Administração preparados para orientar a adopção de tecnologias avançadas visando impulsionar o crescimento dos negócios, demonstrando confiança na governação corporativa face à transformação digital.





