Neurocirurgiões de todo o país reunidos nesta quarta-feira (05.11), em Luanda, alertam para o aumento de casos, sobretudo entre mulheres grávidas
De janeiro a outubro de 2025, só a Clínica Girassol registou mais de 100 casos de AVC hemorrágico, dos quais 20 a 25 foram tratados por via endoscópica. Já o recentemente inaugurado Hospital Pedalé atendeu em torno de 50 pacientes, com uma média de seis a sete casos por dia.
Em entrevista à Outside durante o 1.º Workshop Nacional de Neurocirurgia, o neurocirurgião do Complexo Hospitalar Pedalé, Dr. Wilson Teixeira, afirmou que a maioria dos pacientes são jovens, com destaque para mulheres em idade fértil e em estado de gestação.
“Na nossa realidade, o AVC é muito frequente entre jovens, e uma das principais causas é a hipertensão arterial. A situação é preocupante, sobretudo entre mulheres grávidas, pois a pré-eclâmpsia (hipertensão arterial na gravidez) pode provocar ruptura de vasos intracranianos e gerar graves complicações”, alertou o especialista.
Preocupação partilhada igualmente pelo Chefe do Departamento de Neurocirurgia da Clínica Girassol, Dr. Walter Diogo, anfitrião do workshop, que de forma séria mas optimista avaliou a gravidade da situação: “Um dos grandes problemas de mortalidade no país é o AVC hemorrágico. Temos muitos doentes com esse diagnóstico, mas também temos alcançado sucessos internamente com procedimentos minimamente invasivos”, disse.
Sob o lema “Precisão com menos invasão”, o workshop que contou com a presença do primeiro neurocirurgião angolano, o Dr. João de Abreu, serviu para analisar o estado da neurocirurgia em Angola, com foco na cirurgia minimamente invasiva – também conhecida como neurocirurgia de navegação –, assim como estimular a troca de experiências entre neurocirurgiões especialistas e os aspirantes a profissão sobre as abordagems mais seguras, eficazes e com menor morbidade.





