Quando António Catana, CEO da Standard Gestão de Activos (SGA), declarou na conferência “Angola, 10 Anos de Eurobonds” que os fundos mobiliários da instituição estão a oferecer rentabilidades superiores a 20%, não se tratava apenas de marketing — era um sinal claro de que o mercado financeiro angolano pode estar a entrar numa nova fase de maturidade e atração para investidores locais.
Segundo Catana, o fundo Standard Rendimento (fechado) alcançou mais de 25% de rentabilidade anualizada líquida, enquanto o Standard Obrigações (aberto) ultrapassa os 20%. Esses níveis chamam atenção, sobretudo em contexto em que as aplicações bancárias tradicionais mal oferecem rendimento real frente à inflação.
A performance desses fundos sugere que o mercado de capitais angolano está nos seus primórdios de despertar para a cultura de investimento coletivo. A SGA, lançada em 2023, já gere cerca de 44 mil milhões de kwanzas e conta com uma base de mil clientes. A estratégia de democratização do acesso — permitindo subscrições via app ou corretoras, sem necessidade de conta bancária no Standard — é parte essencial desse esforço de expansão.
Apesar desse horizonte promissor, ainda há desafios. Catana apontou que o mercado de ações sofre com falta de liquidez: muitos investidores mantêm posições de longo prazo e relutam em vender, o que freia o surgimento de uma plataforma dinâmica de compra e venda. Ele sugeriu que apenas com mais fundos e mais investidores de curto a médio prazo será possível criar um equilíbrio saudável no mercado.
Se essa fase de consolidação for bem gerida, os fundos de investimento mobiliário podem converter-se numa alternativa real aos depósitos bancários, além de desempenharem um papel na diversificação das fontes de financiamento da economia angolana.





