Petroleiro russo entrega gás natural liquefeito à China apesar das sanções ocidentais

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Um navio-tanque transportando gás natural liquefeito (GNL) proveniente do projecto russo Arctic LNG 2 descarregou recentemente o produto num porto da China, evidenciando a continuidade do comércio energético entre os dois países, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos e aliados ocidentais contra a Rússia.

De acordo com dados das empresas de análise Kpler e Vortexa, o petroleiro La Perouse atracou no Terminal de GNL de Beihai, na região chinesa de Guangxi, a 9 de Outubro, depois de ter recebido a carga no final de Agosto no terminal do Arctic LNG 2, no Ártico russo. O navio partiu do porto de Beihai no dia seguinte.

Registos do banco de dados marítimo Equasis indicam que o proprietário formal do La Perouse é a Enson Shipping Inc., enquanto a gestão comercial é atribuída à Tanama LLC. A PipeChina, operadora do terminal de Beihai, não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela imprensa internacional.

O Arctic LNG 2 é um dos maiores projectos energéticos da Rússia, com capacidade prevista de produção anual de cerca de 19,8 milhões de toneladas de GNL. O empreendimento é controlado em 60% pela Novatek, a principal produtora de gás natural liquefeito da Rússia, e tinha como meta expandir significativamente as exportações de energia russa antes de ser incluído nas listas de sanções dos Estados Unidos, em resposta à guerra na Ucrânia.

Desde a imposição das sanções, várias empresas ocidentais retiraram-se do projecto, mas a Rússia tem procurado redireccionar as exportações para mercados asiáticos, em particular a China e a Índia. Especialistas em energia apontam que, apesar das restrições financeiras e logísticas, Moscovo continua a encontrar vias alternativas para manter a exportação de gás, recorrendo a intermediários e companhias marítimas de jurisdição menos exposta às medidas punitivas ocidentais.

A operação do La Perouse reforça o estreitamento da cooperação energética sino-russa, num contexto geopolítico em que Pequim tem aumentado significativamente as importações de energia russa, beneficiando de preços mais baixos e contratos flexíveis.

Nem a Novatek nem as autoridades russas comentaram oficialmente a entrega. A PipeChina, por seu lado, também não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre este e outros carregamentos anteriores ligados ao Arctic LNG 2.

O episódio mostra que, apesar da crescente pressão internacional, a Rússia continua a encontrar no mercado chinês um dos principais destinos para o seu gás, consolidando uma parceria estratégica que redefine o mapa energético global.

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