Luanda prepara-se para uma noite em que o fado português e a música angolana se cruzam num mesmo palco. O Centro de Conferências de Belas acolhe, a 16 de Outubro, o Caixa Fado 2025, um espectáculo que propõe um diálogo entre dois universos sonoros que partilham histórias de melancolia, resistência e pertença.
Mais do que um festival, o evento afirma-se como um gesto simbólico no ano em que Angola celebra meio século de independência. A iniciativa, promovida pelo Caixa Angola, regressa para a sua oitava edição com o propósito de unir tradição e modernidade, num concerto que promete aproximar linguagens e sensibilidades.
O cartaz junta nomes de peso dos dois países. Do lado angolano, sobem ao palco Matias Damásio, Anabela Aya e Heróide dos Prazeres, vozes que têm redefinido os contornos da música nacional. De Portugal, chegam Camané, Ana Sofia Varela, Marco Rodrigues e Filipa Cardoso, intérpretes que representam diferentes gerações do fado, entre a reverência à tradição e a abertura à experimentação.
A proposta artística é clara: colocar o fado e os ritmos angolanos em diálogo, explorando as suas intersecções emotivas e culturais. A melancolia das guitarras portuguesas encontra o pulsar do semba, do jazz e da soul angolana — uma fusão que reflecte a complexa herança partilhada entre os dois países e a vitalidade das suas criações contemporâneas.
Desde a sua primeira edição, o Caixa Fado tem funcionado como um espaço de encontro entre artistas lusófonos, consolidando-se como uma das iniciativas culturais mais consistentes do calendário anual. A edição de 2025, contudo, carrega um peso simbólico maior: o de celebrar a liberdade, a memória e a arte como instrumentos de reconciliação e de futuro.
As portas do evento abrem às 18h00 e o espectáculo inicia-se às 21h00, no Centro de Conferências de Belas. Mais do que um concerto, o Caixa Fado 2025 será uma celebração das vozes que, vindas de margens distintas, continuam a cantar a mesma história — agora, em tom de reencontro.





