Bartolomeu Dias questiona eficácia da luta anticorrupção e considera que a impunidade continua a alimentar práticas ilícitas.
O empresário Bartolomeu Dias lançou duras críticas à eficácia das políticas de combate à corrupção em Angola, afirmando que os resultados continuam muito aquém do necessário para restaurar a confiança dos cidadãos e garantir justiça económica.
“Se houvesse combate efectivo à corrupção, muita gente estaria presa”, declarou, referindo-se ao enriquecimento súbito de altos responsáveis, sem qualquer explicação plausível sobre a origem dos seus patrimónios.
Segundo o gestor, a impunidade institucionalizada tem gerado uma cultura de normalização do roubo, tanto na esfera pública como privada.
“Hoje, quem não rouba é visto como alguém fora do padrão social. O exemplo vem de cima: há dirigentes que dormem pobres e acordam ricos. Isso influencia o trabalhador comum, que passa a acreditar que só se chega a algum lugar através de práticas ilícitas”, afirmou.
Bartolomeu Dias defende que o combate à corrupção deve ser acompanhado de responsabilização efectiva, sob pena de se perpetuar um ambiente de concorrência desleal, que penaliza o sector privado e desmotiva os empreendedores sérios.
O empresário também traçou um paralelo entre liderança e exemplo familiar: “Tal como um filho se inspira no comportamento do pai, o povo olha para os seus líderes. Se os líderes não são exemplo, se retiram bens públicos com facilidade e nada lhes acontece, o povo segue esse modelo. E isso é público, é recorrente, fala-se todos os dias de corrupção como se fosse algo banal.”
Para Bartolomeu Dias, é urgente reverter este cenário, promovendo uma cultura de integridade e transparência, onde o mérito e o trabalho honesto sejam valorizados.
“Não podemos continuar a admirar quem rouba. Quando alguém aparece com património sem nunca ter sido empresário, sem fonte legítima, é evidente que se trata de riqueza ilícita. E isso precisa de ser enfrentado com coragem e justiça.”





