Líder do grupo BD critica juros bancários superiores a 20% e considera que a economia carece de medidas que incentivem o investimento privado. Sobre a actual equipa económica, liderada pelo Presidente João Lourenço desde 2017, o empresário considera que não foram apresentados resultados que permitam uma avaliação positiva.
O empresário Bartolomeu Dias Domingos, presidente do Grupo BD, afirmou recentemente à Rádio Essencial que o ambiente de negócios em Angola é “péssimo”, alertando para a ausência de condições mínimas que permitam o crescimento sustentável das empresas.
“Com juros bancários acima dos 20%, qualquer tentativa de florescimento económico é sufocada. Não há como expandir projectos ou gerar emprego neste cenário”, declarou.
Com activos avaliados em 400 milhões de dólares e mais de 3.000 trabalhadores, o gestor defende que o Estado deve rever com urgência a política monetária, criando condições reais para o investimento privado e para o fortalecimento do sector produtivo.
Dias traçou uma retrospectiva crítica da evolução económica do país, apontando 2014 como o ponto de inflexão, quando Angola perdeu os pilares que sustentavam a sua economia — nomeadamente o preço elevado do petróleo e os empréstimos da China.
“Havia fluxo financeiro, mas não havia estrutura. Faltou inteligência para capitalizar esse momento. O plano de desenvolvimento não foi seguido, e o resultado foi o colapso”, afirmou.
Sobre a actual equipa económica, liderada pelo Presidente João Lourenço desde 2017, o empresário considera que não foram apresentados resultados que permitam uma avaliação positiva.
“A economia não floresce com juros de 23% ou 24%. Isso é básico. Fui banqueiro, sou co-fundador do Banco Valor, conheço bem o sistema. O Banco Central dita as taxas, e elas estão a penalizar quem quer produzir”, criticou.
Bartolomeu Dias também questionou a composição técnica da equipa económica, sugerindo que a escolha dos seus membros deveria basear-se em mérito e currículo, como acontece noutros países.
“Não sei se quem coordena a equipa tem um perfil adequado. Tenho relação pessoal com o ministro de Estado da Coordenação Económica, mas talvez estivesse melhor noutra função, como no Banco Central. O problema é que o xadrez não está bem montado”, observou.
O empresário lamenta que, passados quase oito anos de governação, a economia continue a deteriorar-se, sem sinais claros de recuperação.
“Não podemos continuar a justificar tudo com a conjuntura internacional. É preciso fazer o trabalho de casa. Se os resultados são negativos, a responsabilidade é interna. A equipa económica tem de ser competente e apresentar soluções concretas para tirar Angola da crise.”
Segundo Bartolomeu Dias, o sentimento é partilhado por muitos empresários, que se queixam da falta de medidas estruturantes e da confusão estratégica que impede o país de avançar.
“O ambiente de negócios precisa de ser repensado com seriedade. Sem isso, continuaremos a penalizar quem quer produzir e a beneficiar quem vive da especulação.”





