O Sindicato Nacional dos Empregados Bancários de Angola (SNEBA) comemorou ontem, no Hotel de Convenções de Talatona (HCTA), o 50.º aniversário da Banca Nacional. O encontro reuniu mais de 200 dirigentes do sistema financeiro, representantes governamentais e especialistas para debater o futuro do sector, colocando no centro da agenda a digitalização, a negociação colectiva e a responsabilidade social como alavancas de desenvolvimento económico.
O evento marcou não apenas meio século da banca nacional, mas também coincidiu com o cinquentenário da independência, reforçando a dimensão histórica da celebração. A vice-governadora do Banco Nacional de Angola (BNA), Maria Juliana de Fontes Pereira, sublinhou que a transição digital já não é opcional: “A transformação digital e a inclusão financeira são hoje pilares para sustentar o crescimento económico e reforçar a competitividade do sector bancário angolano”.
Segundo a responsável, os ganhos na democratização do acesso a serviços bancários – com destaque para contas simplificadas, pagamentos digitais e maior presença em zonas remotas – criaram condições para que mais cidadãos integrem o sistema financeiro formal. “A bancarização do país é também uma estratégia de estabilidade macroeconómica, porque fortalece a poupança interna e melhora a capacidade do Estado de financiar investimento público sem depender apenas de dívida externa”, acrescentou.
Do monopólio à concorrência: 50 anos de evolução
A história do sector bancário angolano é marcada por um ponto de viragem em 1975, quando, após a independência, o Estado assumiu temporariamente o controlo dos bancos para evitar colapso financeiro. O episódio conduziu à criação do Dia da Banca Nacional, celebrado a 14 de Agosto desde 1980.
Hoje, com mais de 25 instituições financeiras, Angola vive um ambiente de maior concorrência, novas tecnologias e pressão regulatória internacional. Para especialistas presentes no evento, o desafio é conciliar eficiência operacional com inclusão social: “Uma banca mais robusta e transparente significa crédito mais barato, melhores serviços e mais confiança dos investidores”, resumiu um dos participantes.
Mesa-redonda sobre economia digital
Durante o encontro, temas como negociação colectiva, inteligência artificial e ética profissional foram discutidos como determinantes para a produtividade do sector. A digitalização foi apontada como caminho inevitável para reduzir custos de transação, aumentar a competitividade do país e atrair investimento estrangeiro.
O SNEBA reforçou que a nova geração de trabalhadores bancários deve ser preparada para lidar com automação e ferramentas de análise de dados, sem perder de vista o atendimento humanizado. Também foi destacada a importância da banca pública na promoção do crédito às micro, pequenas e médias empresas (MPME), fundamentais para a diversificação da economia.
Um compromisso para o futuro
Ao encerrar o evento, o sindicato e os representantes do BNA defenderam um pacto entre bancos, regulador e trabalhadores para acelerar a inovação tecnológica e melhorar as competências profissionais do sector. “Se o sistema bancário evoluir para uma lógica mais aberta e digital, Angola poderá aumentar a poupança interna, reduzir custos de financiamento e financiar o crescimento económico com base no investimento nacional”, resumiu um dos organizadores.
Com este encontro, a banca angolana não apenas comemorou o passado, mas projectou um novo ciclo orientado para inclusão, inovação e desenvolvimento económico sustentável.





