A linha férrea que liga o Porto do Lobito ao Luau voltou a ser mais do que um corredor logístico: tornou-se também um canal de saúde pública. A Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário (FDC), liderada pela Primeira-Dama de Angola, Ana Dias Lourenço, lançou esta terça-feira o projecto “Tata Uhayele – Cuide da Sua Saúde”, com apoio financeiro e logístico da Lobito Atlantic Railway (LAR).
O programa-piloto, que decorre de Setembro a Novembro de 2025, prevê quatro viagens médicas itinerantes com paragens em estações seleccionadas das províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico. A meta é chegar a populações em zonas remotas, onde o acesso a consultas especializadas é limitado. Só na primeira paragem, em Caimbambo, foram atendidas em média mais de 100 pessoas por dia, em pediatria, ginecologia, oftalmologia, nutrição e vacinação.
Para viabilizar esta fase inicial – designada “Ano Zero” – a LAR disponibilizou 250 mil dólares e assegurou meios logísticos, incluindo locomotivas, acesso à rede ferroviária e utilização das estações para transportar equipas médicas e equipamentos. “Acreditamos que apoiar o Tata Uhayele é investir no futuro sustentável das comunidades ao longo da linha férrea”, afirmou Nicholas Fournier, CEO da Lobito Atlantic Railway, sublinhando que a iniciativa demonstra “como parcerias público-privadas podem trazer impacto social real, fortalecendo a coesão e o bem-estar da população”.
Os serviços de saúde são prestados pela Clínica Sagrada Esperança (CSE), em coordenação com a FDC e autoridades sanitárias locais. Antes de cada paragem, equipas técnicas avaliam as necessidades e identificam pacientes prioritários, encaminhando os casos graves para unidades hospitalares de Benguela ou Luanda.
O “Tata Uhayele” conta ainda com o apoio do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), do Gabinete Provincial da Saúde de Benguela, da Carrinho e de parceiros institucionais e privados. A continuidade do projecto após Novembro dependerá dos resultados da avaliação de impacto e da viabilidade financeira.
A LAR, concessionária de 30 anos da linha férrea de 1.300 km entre o Porto do Lobito e o Luau, posiciona-se como operador logístico e parceiro de desenvolvimento comunitário. Para além da modernização e manutenção da infraestrutura, a empresa aposta em programas sociais que reforçam a ligação com as comunidades ao longo da rota ferroviária.
Com operações também na República Democrática do Congo, via acordo com a Société Nationale des Chemins de Fer du Congo (SNCC), a LAR oferece a rota mais rápida e sustentável entre Kolwezi e o Atlântico, com tempo de trânsito de apenas sete dias. O “Tata Uhayele” junta-se assim a uma estratégia mais ampla de integração regional e de apoio ao desenvolvimento local, transformando a linha férrea num vector de inclusão social e saúde pública.







