Domingo, 7 de Setembro, a arquitecta Maria João Teles Grilo trouxe no programa Conversa à Sombra da Mulemba da Rádio Mais 99.1, uma reflexão que não deve ser tratada como mero exercício académico: a necessidade urgente de pensarmos um sistema de ensino decolonial em Angola.
Mais do que um conceito, a palavra decolonial aponta para a urgência de romper com a lógica mental e institucional herdada da colonização. Uma lógica que ainda estrutura currículos, métodos e mentalidades, que classifica saberes locais como secundários e que insiste em impor ao aluno a ideia de que o conhecimento válido é aquele que vem de fora.
Muito se fala em “descolonizar”, mas, como destacou a arquitecta, o decolonial vai além: não é apagar os traços coloniais, é construir um novo paradigma de ensino, capaz de dar centralidade ao que foi silenciado e, ao mesmo tempo, integrar de forma crítica e equilibrada os contributos externos.
Um ensino verdadeiramente decolonial implica sistematizar e valorizar os saberes endógenos. As práticas que estruturaram os povos antes da chegada dos europeus não são “curiosidades culturais”, são formas de conhecimento com valor próprio. São património vivo, com potencial real de inovação e de resposta a problemas actuais.
O que se depreende da fala da arquitecta Maria João Teles Grilo, ex-professora da Universidade Agostinho Neto, é que um país que não valoriza os seus saberes, que não insere a sua cultura no debate global, que não reconhece a sua própria produção intelectual, está condenado a permanecer na periferia do mundo.
A provocação de Maria João Teles Grilo não deve morrer nos estúdios de rádio. Deve transformar-se em política pública, em reforma curricular, em debate nacional.
Aconteceu domingo, 7 de Setembro no programa Conversa à Sombra da Mulemba da Rádio Mais 99.1 com patrocínio da Unitel e apoio da Premier Bet, uma edição produzida pela professora Tânia Pereira.





