O secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Alexandre Barroso, reuniu-se, ontem, em Windhoek, Namíbia, com a delegação chinesa para analisar oportunidades de cooperação no desenvolvimento de projectos de hidrogénio verde, com foco na exportação para a Europa.
O governante falava à margem da Cimeira Global Africana de Hidrogénio Verde, na região de Khomas, que encerrou ontem e permitiu conhecer em detalhe a experiência chinesa no sector.
“A China é actualmente um dos maiores produtores e utilizadores de hidrogénio verde, além de liderar o financiamento de projectos ligados a essa energia. Nos últimos sete anos, conseguiram reduzir em quase metade os custos de produção”, destacou o secretário de Estado.
Durante as conversações entre os dois países, foram discutidas possíveis sinergias entre as tecnologias e capacidades chinesas e os projectos em curso em Angola, com destaque para a iniciativa da Sonangol na Barra do Dande.
Os representantes do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da petrolífera angolana também participaram da reunião e devem dar continuidade às negociações técnicas e financeiras.
O financiamento foi apontado como o maior desafio para viabilizar os projectos. As partes analisaram a possibilidade de apoio chinês, bem como de outras regiões, ao destacar que a elaboração de um plano de negócios robusto será essencial para atrair investidores internacionais.
José Barroso elogiou ainda a realização da Cimeira Científica em Windhoek, que reuniu, durante dois dias, Governos, financiadores e empresas do sector Energético.
O secretário sublinhou ainda que Angola precisa avançar na criação de uma estratégia nacional para o hidrogénio verde, incluindo um “roadmap” (roteiro) e uma Lei específica para energias renováveis. “Não haverá sustentabilidade a longo prazo sem uma política nacional que dê suporte a esses projectos”, explicou.
A expectativa é que a colaboração entre Angola e China possa impulsionar o sector Energético angolano, na garantia de competitividade internacional e contribuir para os esforços globais de descarbonização.
Especialistas
Durante três dias, a Cimeira Global destacou financiamento, cooperação internacional e oportunidades para jovens, num encontro que juntou especialistas, decisores políticos e investidores para debater os principais desafios e oportunidades do sector Energético, com destaque para o papel de África na transição para uma economia verde.
A Cimeira encerrou com um apelo ao reforço da colaboração internacional, capacitação da juventude e mobilização de financiamento sustentável, elementos apontados como cruciais para acelerar o desenvolvimento do hidrogénio verde em África.





