O volume de negócios entre Angola e o Brasil fixou-se, em 2024, em mil milhões e meio de dólares, um aumento de mais 400 mil em relação ao período de 2023, que foi de mil milhões e cem mil dólares, informou, na quarta-feira, em Luanda, o presidente da Câmara de Comércio Angola-Brasil.
Raimundo Lima, que falava à imprensa durante a “mesa-redonda sobre a parceria estratégica entre o Brasil e Angola”, esclareceu que o volume de negócios entre os dois países chegou a atingir 4 mil milhões e meio de dólares em 2010. Entre 2022 e 2023 a balança comercial caiu, ficando em mil milhões e cem e em 2024 aumentou para mil milhão e meio.
O representante esclareceu que o aumento registado no ano passado se deveu, basicamente, ao alargamento da compra de petróleo em Angola e não muito, por exemplo, nas próprias exportações brasileiras, que se dão em áreas como carne bovina, suína, até mesmo em açúcar, que são os produtos que mais se vendem em Angola.
Superávit
O superávit foi em torno de 300 milhões de dólares, ou seja, foram cerca de 900 milhões de dólares exportados por Angola e cerca de 600 milhões de dólares exportados pelo Brasil para Angola. Uma diferença de 360 milhões, aproximadamente, isso no ano passado.
O Brasil exportava muito mais do que Angola e a tendência passa por voltar com uma série de acções que facilitem as trocas comerciais, como por exemplo o fim da bitributação, a implantação do Sistema de Pagamento em Moeda Local e o aumento dos financiamentos do Brasil para Angola.
Raimundo Lima lembrou que o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, visitou Angola por três vezes com o objectivo de intensificar a contribuição, sobretudo do know-how que o Brasil tem para aumentar a produção nacional.
O representante revelou, ainda, que está a ser preparada a ocupação de cerca de 500 mil hectares por empresários brasileiros, “a fim de produzir em maior quantidade e em escala muito maior os produtos que precisam ser substituídos nas importações e oferecidos para a população angolana, mas também para ter um excedente para exportação”.
Raimundo Lima disse que o ambiente de negócios em Angola é positivo, pois, há um interesse mútuo, mas é preciso que sejam implementados instrumentos como “Os financiamentos, por exemplo, do BNDES através do Eximbank e do Programa de Financiamento às Exportações (PROEX)”.
Trocas comerciais
A embaixadora do Brasil em Angola, Eugênia Barthelmess, disse que a balança comercial está com um superávit a favor de Angola, em detrimento do Brasil, mas que a intenção não passa apenas por reequilibrar, mas aumentar a balança em termos absolutos.
Em declarações à imprensa no fim do encontro, Eugênia Barthelmess explicou que “contamos com os empresários brasileiros radicados em Angola e com os empresários angolanos. Vamos prosseguir no caminho da recuperação da balança comercial”.





