Especialistas alertam sobre consequências da negligência da doença, sugerindo atenção especial dos decisores e sociedade civil não apenas pela sua natureza clínica, mas também pelo impacto económico e social
A anemia falciforme continua a ser uma das doenças mais prevalentes em Angola e, apesar da sua gravidade, ainda não recebe a atenção necessária por parte das autoridades.
A preocupação foi manifestada nesta sexta-feira (29.08) por peritos na matéria durante o “I Simpósio sobre Anemia Falciforme”, realizado pelo Hospital Geral dos Cajueiros, em Luanda, onde alertaram que, além do sofrimento clínico, a doença representa um peso económico e social significativo para as famílias e para o país.
Daniel Café, Director do Hospital Geral dos Cajueiros, referiu que a doença deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública, lembrando que o impacto vai muito além do campo clínico: “A anemia falciforme merece atenção especial não apenas pela sua natureza médica, mas também pelo peso económico que impõe às famílias, obrigadas a lidar com internamentos frequentes, falta de medicamentos e perda de produtividade, o que afeta diretamente a economia nacional”, afirmou.
Apesar da ausência de dados específicos sobre os custos inerentes as famílias e a sociedade por cada paciente de anemia falciforme, os especialistas sublinharam que a falta de informação e de políticas consistentes agrava os custos indiretos, já que muitas famílias são obrigadas a abdicar de trabalho e rendimento para cuidar dos doentes.
Por esse motivo apelas por alternativas para reduzir a pressão económica sobre o Estado e as famílias, incluindo o fortalecimento das políticas públicas, o acesso gratuito a métodos de diagnóstico precoce e a implementação de programas de acompanhamento contínuo.
Em termos numéricos, estima-se que mais de três milhões da população angolanos vive com anemia falciforme, sendo que 20% é portadora do traço da anemia falciforme. Entre 2011 e 2020, uma triagem neonatal mostrou que 2,4% dos recém-nascidos tinham a doença, enquanto 18% possuíam o traço. Em 2021, calculava-se que 7.000 crianças nasciam anualmente com a condição, no entanto contrariado por um estudo estudo de 2024 que elevou esse número para cerca de 340.940 novos casos.





