Pagamento de juros e amortizações deverá totalizar 13,3 mil milhões de Kz, com a dívida externa a representar a fatia mais significativa (69%) deste encargo. especialistas alertam para a pressão sobre as contas públicas.
O serviço da dívida governamental (amortizações de capital mais juros) continuará a ser um dos maiores encargos para as contas públicas angolanas em 2025, com uma previsão de 13.263,31 mil milhões de kwanzas (cerca de 13,53 mil milhões de dólares). Este valor representa um colossal 67% das receitas fiscais totais projectadas para este ano, colocando uma pressão significativa na execução orçamental e na capacidade de investimento do Estado.
A dívida externa é a principal responsável por este fardo, representando 69% do total do serviço (9.171,39 mil milhões de Kz). Já a componente interna ficará pelos 4.091,92 mil milhões de Kz. Uma métrica crucial revelada pelo documento é a que relaciona o serviço da dívida com as receitas petrolíferas e não-petrolíferas. Enquanto o serviço da dívida externa consumirá 85% das receitas petrolíferas (geralmente em USD), o serviço da dívida interna representará 67% das receitas não-petrolíferas.
Estes rácios ilustram a vulnerabilidade das finanças públicas angolanas às flutuações do preço do petróleo e à robustez da cobrança de impostos internos. Um especialista em finanças públicas, contactado pela Revista Outside, sublinhou que “estes níveis de comprometimento de receitas limitam drasticamente a margem de manobra do Estado para investir em sectores críticos como a saúde, educação e infra-estruturas, especialmente em cenários de choques externos”.





