A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), em parceria com a TotalEnergies, a Petronas e a Sonangol, assinalou hoje o início oficial da fabricação do Projecto Kaminho, o primeiro grande desenvolvimento em águas profundas da Bacia do Kwanza. A cerimónia do “Primeiro Corte de Aço” decorreu no estaleiro da Petromar, no município do Ambriz (província do Bengo), e contou com a presença do Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo.
As actividades de fabricação, lideradas pela Petromar, abrangem mais de 5.500 toneladas de estruturas metálicas destinadas ao FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Descarregamento) e ao sistema submarino SURF. O processo prevê mais de 1,2 milhão de horas de trabalho, asseguradas em 94% por mão-de-obra qualificada angolana, reforçando a política de conteúdo local. Entre as estruturas, destacam-se 12 âncoras verticais de sucção, com 170 toneladas e 24 metros cada, e um protetor das linhas de fluxo de 80 metros.
Para o ministro Diamantino Azevedo, a cerimónia simboliza uma viragem histórica na indústria petrolífera angolana. “Este é o primeiro desenvolvimento offshore da Bacia do Kwanza, uma área que durante anos apresentou desafios, mas que agora mostra um futuro promissor. É a prova de que as reformas fiscais e legais introduzidas pelo Executivo estão a funcionar, criando um ambiente de negócios atractivo e seguro para o investimento privado”, afirmou.
O Administrador Executivo da ANPG, em representação do PCA, Paulino Jerónimo, sublinhou a importância social e económica do projecto, destacando o impacto na criação de emprego, nos investimentos locais e no desenvolvimento de comunidades.
Já o Director-Geral da TotalEnergies Angola, Martin Deffontaines, reforçou o simbolismo da iniciativa. “Estamos muito satisfeitos com o arranque da fabricação do Kaminho em Angola, com a participação da Petromar, um estaleiro histórico com mais de 40 anos de experiência. Este projecto reflecte o nosso compromisso de longo prazo com o país, num ano em que Angola celebra 50 anos de independência”, disse.
O Projecto Kaminho envolve um investimento de 6 mil milhões de dólares e visa produzir cerca de 70 mil barris por dia, explorando os campos Cameia e Golfinho, situados a 100 km da costa de Angola, a 1.700 metros de profundidade. Além do contributo energético, estima-se que evite a emissão de 8 milhões de toneladas de CO₂ ao longo da sua vida útil, integrando soluções de mitigação ambiental.
A TotalEnergies opera o bloco 20/11 com 40% de participação, em consórcio com a Petronas (40%) e a Sonangol (20%).A cerimónia contou ainda com a presença de figuras institucionais e empresariais de relevo, incluindo o Secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, a Administradora Executiva da ANPG, Ana Miala, o PCA da Sonangol, Gaspar Martins, e representantes da Petronas Angola.







