Isaías Samakuva aponta causas da estagnação económica do país e defende reformas profundas

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O ex-presidente da UNITA, Isaías Samakuva, afirmou, nesta quarta-feira (27 de Agosto), durante o Angola Economic Forum, que a economia angolana continua a enfrentar entraves estruturais herdados do período colonial, agravados por décadas de má gestão e corrupção.

Na sua intervenção no debate subordinado ao tema “A Economia Angolana na Visão dos Nacionalistas: Um Olhar sobre o Passado, Presente e Futuro”, o político destacou que o modelo económico vigente mantém o país excessivamente dependente do petróleo, tornando-o vulnerável a choques externos e incapaz de promover um crescimento inclusivo.

Para Samakuva, a guerra civil, a centralização do poder e a gestão ineficiente das riquezas nacionais criaram um ambiente em que “as promessas da independência ainda não se materializaram efectivamente para a maioria dos angolanos”.

Segundo o antigo líder da oposição, as consequências desta trajectória de “cariz colonial” reflectem-se actualmente na fraca diversificação económica e nas profundas desigualdades sociais. “Cinquenta anos depois da descolonização, ainda não conseguimos diversificar a economia nem garantir uma gestão inclusiva da riqueza nacional”, assinalou.

Com vista a inverter este ciclo de dependência e exclusão, Samakuva defendeu a implementação urgente de medidas estruturais, entre as quais a despartidarização do Estado, descentralização do poder económico, combate eficaz à corrupção e promoção da boa governação.

De acordo com o dirigente, estas mudanças exigem coragem e vontade política, bem como um investimento consistente no capital humano. “O nosso partido principal e comum é Angola. É preciso colocar o cidadão no centro das políticas económicas, porque a economia faz-se para o homem e com o homem”, concluiu.

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