Novo romance explora memórias da Angola colonial e as mudanças sociais que ocorreram no país ao longo dos anos
A prateleira da literatura angolana acaba de ganhar mais uma nova obra literária com o lançamento do recente romance de Artur Pestana dos Santos “Pepetela”, intitulado “Tudo-Está-Ligado”.
Editada pela Kacimbo e apresentada ao público angolano nesta quarta-feira (25 de junho) no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda, a obra retrata as vivências do personagem Santiago, major forçado à reforma por conta de um acidente traumático. Hospedado em sua casa da infância, em Benguela, o protagonista revive memórias e lendas familiares que remontam ao antigo reino Tchiyaka, divagando igualmente nas encruzilhadas da história angolana, do colonialismo às transformações sociais do presente, alternado entre a realidade e a ficção, propondo uma reflexão madura sobre identidade nacional, reconciliação e conexão intergeracional.
Lançada anteriormente em Brasil e Portugal, onde foi bem aclamada, “Tudo-Está-Ligado” chega agora às mãos dos angolanos sete anos após tomarem contacto com a última obra do autor, “Sua Excelência de Corpo Presente”, em 2018, na qual narra a trajectória político-militar de um personagem que em seu funeral rememora seus tempos de glórias.
Nascido em Benguela aos 29 de outubro de 1941, Pepetela, pseudónimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, é um dos maiores ícones da literatura angolana e lusófona, tendo sido galardoado com vários prêmios, incluindo o Prêmio Camões em 1997. De seu rico acervo literário, a que agora junta-se este mais recente romance, destacam-se títulos sonantes como, por exemplo, “Mayombe”, “O Desejo da Kianda”, “James Bunda, Agente Secreto: Estórias de Alguns Mistérios”, “Geração da Utopia” e “Os Cães e os Caluandas”.





