Trinta em cada 100 angolanos adultos são hipertensos

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O alerta vem dos especialistas em cardiologia que citam a situação socioeconómica do país como um dos principais factores

Os indicadores foram avançados durante as “Primeiras Jornadas de Hipertenção Arterial” realizada pela Aliva (ex-Luanda Medical Center) neste sábado, 10 de maio, no HCTA, em Luanda.

Subordinada ao lema “Diagnosticar mais, tratar melhor”, o encontro teve como prisma debater os avanços e rucuos no combate à hipertensão, contando com oradores nacionais e internacionais. Na ocasião, Mário Fernandes, Cardiologista e Director-Geral do Hospital Geral de Viana “Bispo Emílio deCarvalho”, alertou que cerca de 30% da população adulta em Angola entre os 30-55 anos sofre de hipertensão, das quais menos de 20% não tem medicação, enquanto outros 57,4% sob medicação não têm acompanhamento adequado.

“A realidade é que temos a noção que cerca de 30% da nossa população adulta padece de hipertensão, sendo que menos de 20% desses doentes se encontram realmente controlados. No entanto, mesmo quando medicados, a preocupação é enorme tendo em conta que muitos desses pacientes são jovens na plena actividade e potencial laboral que acabam por se retirar do mercado de trabalho e do sustento das suas famílias quando acometidos por essadoença”, disse, destacando os acidentes cardiovasculares, tanto os cerebrais ou a vulgar «trombose» e os derrames cerebrais como os casos mais correntes.

Para o cardiologista, além de outros factores, a baixa qualidade de vida influenciada mormente por factores económicos contribui enormemente para o crescente e agravante número de pessoas nesta condição.

“São múltiplas as razões, mas uma delas pode prender-se com o facto de termos hábitos higieno-dietéticos que propiciam a hipertensão, nomeadamente o consumo de sal excessivo, a falta de exercício físico, mas também algum stress e a situação socioeconómica queacomete muitas das nossas famílias”, afirmou o especialista, com base em levantamentos realizados pela classe a mais de 20 mil cidadãos nos últimos três anos.

Também presente na actividade, a cardiologista Lorette Cardona, que tratou sobre a evolução terapêutica da hipertensão arterial no contexto actual, traçou um panorama preocupante sobre a capacidade de resposta dos hospitais no atendimento aos hipertensos, classificando as condições como «precárias», alertando para a facilidade com que a doença evolui para o estado crónico quando os sintomas não são acautelados atempadamente, sobretudo entre populações vulneráveis e nas zonas rurais. Mais do que meios técnicos e medicamentos, para a especialista o mais importante é a formação informação e aposta em recursos humanos especializados.

Com o objectivo central de sensibilizar a sociedade e os profissionais de saúde sobre a gravidade da doença, segundo Vera Fontes, Directora da Clínica do Grupo Aliva Saúde, as “Primeiras Jornadas de Hipertensão Arterial” vem igualmente para “reforçar a urgência de integrar o combate à hipertensão como prioridade no sistema nacional de saúde e nas políticas (públicas) de promoção de estilos de vida saudáveis”.

Dados mundiais classificam a hipertensão arterial como a segunda maior causa de morte associada no mundo, em uma cifra de 2,5%, correspondente a cerca de 250 mil óbitos por ano em África.

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