Sona, Património da Humanidade, reinterpretado por artistas angolanas em exposição no Palácio de Ferro

Data:

O Palácio de Ferro acolherá, no próximo dia 27 de Março, às 18h30, a inauguração da exposição colectiva SONA – Traços De Uma Herança, integrada na rubrica de Artes Visuais. A mostra, que reúne 50 obras das artistas angolanas Carla Peairo e Ermelinda Zau, visa revitalizar os Sona — desenhos na areia milenares do Nordeste de Angola, elevados a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em Dezembro de 2023.

Utilizando técnicas como acrílico sobre tela, técnica mista e arte têxtil, as artistas propõem uma reinterpretação contemporânea destes símbolos ancestrais, originários dos povos quiocos das Lundas, Moxico Norte e Moxico Leste. A exposição não só celebra a estética dos Sona, mas também os transforma em ferramentas de diálogo entre o passado e o presente, convidando o público a (re)descobrir a sua identidade cultural.

Carla Peairo, especializada em animação criativa, dedica-se há mais de uma década à investigação dos Sona como método pedagógico. “Trata-se de honrar este legado quântico dos Akwa Kuta Sona, transformando-o em ponte entre a tradição e a educação”, explica a artista, cujo trabalho foi apresentado em conferências internacionais.

Já Ermelinda Zau, influenciada por uma formação em pintura de porcelana em Lisboa, adaptou os desenhos ancestrais a suportes como cerâmica, azulejo e até tapetes de arraiolos. “Os Sona são uma linguagem universal. Elevá-los a Património da Humanidade motivou-me a ampliar o seu alcance”, afirma Zau, cujas peças combinam utilitarismo e arte decorativa.

A exposição surge num momento crucial para a valorização do património angolano. Os Sona, além de símbolos identitários, são apresentados como catalisadores de cadeias de valor social e económico. A curadoria enfatiza a “apropriação positiva” destes códigos, incentivando a sua preservação e projecção além-fronteiras.

O evento incluirá ainda um roteiro explicativo sobre a estilização das peças e o seu diálogo com a preservação da herança ancestral. A iniciativa alinha-se com políticas de promoção cultural do Governo angolano, destacando-se como um marco na afirmação da arte africana no panorama global.

A exposição permanecerá aberta ao público no Palácio de Ferro, em Luanda, até final de Abril de 2025. A entrada é gratuita, com visitas guiadas mediante agendamento.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Partilhe com amigos:

Seja um Leitor Gold

spot_imgspot_img
spot_imgspot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Realizado o primeiro evento de Women’s golf day, no país

A Indigo em parceria, com a SDS Visão realizam...

BNA pretende alcançar 36 por cento da taxa de bancarização até 2027

Angola está com uma taxa de bancarização de cerca...

BAI tem trabalhado para garantir uma comunicação mais ampla com os investidores

O Banco Angolano de Investimento mantém uma monitorização constante,...