Disparidades no PIB per capita e dependência de matérias-primas marcam desafios do bloco, segundo análise apresentada em Luanda.
O comércio entre os 16 países da SADC fixou-se em 20% das exportações e 16% das importações em 2023, abaixo dos níveis pré-pandemia, num contexto de crescimento económico regional de 2,5% — queda face aos 4,6% de 2021. Os dados, partilhados pelo economista Fernandes Wanda no V Fórum Indústria, revelam disparidades brutais: o PIB per capita varia de 15.000 USD nas Ilhas Maurícias a 350 USD na RDC.
“A SADC é a região mais industrializada de África, mas quatro dos seus países estão no top 10 continental, enquanto Angola caiu para a 34.ª posição”, afirmou Wanda. A produtividade laboral angolana, de 5 USD por hora, contrasta com a média regional de 20 USD, reflectindo lacunas em infraestruturas e capital humano.
O investigador criticou a lentidão em projectos como o polo industrial de Viana, em Luanda, que continua sem vias adequadas: “Sem zonas económicas bem equipadas, não há como atrair investimento”. A solução, defendeu, passa por priorizar indústria ligeira e facilitar exportações: “Só com produção competitiva se reduzirá o desemprego juvenil, que ronda os 30%”.
