Na noite de 12 de março, o Memorial Dr. António Agostinho Neto transformou-se em um santuário da música clássica. Sob a maestria do pianista Alexey Shakitko, as obras imortais de Beethoven, Brahms e Chopin ganharam nova vida, ecoando com uma intensidade que transcendeu o tempo.
O público, arrebatado pela grandiosidade da apresentação, não assistiu apenas a um concerto, mas embarcou em uma viagem etérea e histórica. Cada nota, cuidadosamente lapidada por Shakitko, teceu narrativas que revelaram a alma dos compositores que moldaram a música ocidental. O pianista, com lirismo hipnotizante, transformou cada frase musical em uma pintura sonora, onde o virtuosismo encontrou a emoção mais pura.
Entretanto, mais do que tocar, o pianista contou histórias sobre a vida de cada um dos compositores imergindo o público a respeito dos dramas, paixões e dilemas destes “gênios”, como os considera, antes de mergulhar em seus legados, tornando portanto cada peça um quadro vivo, uma cena teatral onde a música falava diretamente ao coração.
Em suas palavras, o concerto foi, para quem esteve presente, “uma lição de história, de emoção e de arte que não se repetem da mesma forma”, sublinhando ainda que “a música não é apenas som”, mas mais do que tudo “memória, identidade e transformação”, concluiu Shakitko.
Professor e pianista, Alexey Shakitko é fundador e director artístico do Festival Internacional de Cacimbo de Música Clássica em Luanda, bem como mentor do ciclo “Avenida dos Tempos” (que consiste em formar um público que ouve criticamente a música), distinguindo-se pela sua profunda exuberância acústica, combinando espiritualidade, emoção e profissionalismo.
